O estudo da história é fundamental para o entendimento do passado e do futuro das cidades. Elas diferem em termos de área e população e das suas características econômicas e culturais. Algumas são grandes metrópoles enquanto que outras são pequenas cidades. Muitas têm um histórico de centenas de anos e outras foram fundadas recentemente. Até agora, a história sobre o desenvolvimento das cidades – especialmente nos últimos 200 anos – enfatizou a profunda influência das instituições políticas e econômicas – do capitalismo em particular, e de administradores poderosos. No entanto, mais recentemente passou-se também a reconhecer as diferenças nacionais e culturais entre elas. Na verdade, a referência cultural é cada vez mais percebida como um elemento determinante da evolução temporal das cidades. Além disso, no mundo atual onde a inovação tecnológica e a informação espalham-se cada vez mais rápido um novo conjunto de forças surge como condicionador da cidade. Essas inovações tornaram possível a comunicação mais rápida e barata em longas distâncias. As implicações são marcantes, do redesenho de cidades globais como Nova York e Londres, à liberação das pessoas em trabalharem em lugares fixos.

A observação de Darwin sobre a seleção natural no mundo biológico também é válida para o mundo econômico, em geral, e para as cidades, em particular. A capacidade de adaptação das cidades e regiões é um dos elementos mais importantes na definição da trajetória de desenvolvimento do país.

Fundamentos

Não há uma solução única para o problema do desenvolvimento de cidades. Ao longo do tempo e do espaço diferentes problemas foram analisados e soluções foram propostas. No entanto, a teoria e a experiência acumuladas permitem a construção de um arcabouço para a análise deste problema no contexto da moderna teoria econômica e do estágio atual da economia e política global.

Diversos estudos sobre o desenvolvimento de cidades apontam as seguintes recomendações para o gestor público local, que tenha como foco a melhoria do bem-estar da população local: i) elaborar plano estratégico de desenvolvimento; ii) estabelecer estrutura de governança, accountability e controle, iii) monitorar evolução da implementação do plano estratégico, iv) estabelecer alianças estratégias – utilizar consórcios públicos e parcerias público-privadas (PPPs) e v) elaborar e implementar política de incentivos para atração de pessoas e projetos.

Desenvolvimento de Cidades no Brasil

É nesse contexto que as cidades brasileiras precisam ser reinventadas. Da forma mais rápida, ordenada e eficiente possível. Desde a fundação, em 1532, da Vila de São Vicente por Martin Afonso de Souza as nossas cidades aumentaram em número, tamanho e complexidade. O número de cidades aumentou até atingir 5.564 em 2013; o crescimento de muitas delas deu-se em velocidade acelerada a partir de meados do século passado. Apesar dos ganhos na qualidade de vida da população brasileira, particularmente daquela residente em centros urbanos, ainda são observados desafios imensos na oferta de infraestrutura física e social, em especial, para a população mais carente. Neste início de século elas podem e devem ser utilizadas como instrumento para o desenvolvimento sustentável do país.

Desta maneira, espera-se que as cidades brasileiras sejam capazes de suprir as demandas de seus habitantes ao mesmo tempo em que sejam temporalmente sustentáveis. É importante ressaltar que a estratégia proposta deve considerar a superação das principais deficiências observadas na elaboração e operacionalização de estratégias de desenvolvimento no país. Dentre estas deficiências ressalta-se: i) a falta de preparo para a realização da empreitada, ii) a incapacidade de se combinar e otimizar os recursos materiais e humanos disponíveis, iii) a incapacidade em se estabelecer parcerias com o setor privado e com outros entes federativos e a iv) ausência de continuidade das políticas públicas iniciadas por uma dada administração pela seguinte.

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