A metodologia para a elaboração do Índice das 100 Maiores e Melhores Cidades do Brasil (Best Cities Index – BCI-100), adota uma visão holística e multi stakeholder da cidade (município), conjugada com procedimentos que asseguram resultados seguros, replicáveis e rigorosos (econômica e estatisticamente). Esta visão é similar àquela encontrada em estudos dessa natureza, não apenas no Brasil como – principalmente – em outras jurisdições.

Do ponto de vista socioeconômico e estatístico, o BCI-100 está fundamentado na melhor prática internacional para indicadores sintéticos, resistindo a diversas hipóteses metodológicas.

Objetivo do Ranking

O objetivo fundamental do BCI-100 é “consolidar” diversas variáveis (atributos) da cidade em um índice, que permita mensurar as diversas dimensões do estágio de desenvolvimento socioeconômico da cidade e, claro, dos seus habitantes. O foco principal é, sem dúvida, avaliar as condições de vida local através de indicadores econômicos e sociais.

O desenvolvimento socioeconômico é um conceito multidimensional que demanda uma mensuração também multidimensional. No entanto, derivar uma única conclusão sobre o estágio de desenvolvimento de uma dada cidade a partir de um conjunto pré-determinado de variáveis (atributos) é um grande desafio. Uma das principais vantagens de indicadores sintéticos é que eles permitem uma visão geral de um conjunto de variáveis de fácil entendimento.

Seleção das Cidades

As 100 cidades que fazem parte do BCI-100 foram selecionadas a partir do ordenamento das cidades com base na população residente, considerando-se os dados do Censo 2010. Neste ordenamento, foram considerados todos os 5.564 municípios brasileiros para os quais existem informações socioeconômicas disponíveis, de fontes oficiais.

Caracterização das Cidades

A caracterização de cada uma das cidade foi feita com base nas seguintes informações: i) Estado onde se localiza, ii-iv) população urbana, rural e total, v) grau de urbanização (%), vi) PIB (R$ milhões), vii-ix) sexo, idade e partido político do prefeito. Apesar de nenhuma dessas variáveis pontuarem no ranking, elas permitiram a classificação das 100 cidades em subconjuntos, permitindo conclusões importantes sobre os resultados obtidos.

Elaboração do Ranking

Um ranking (ordenamento) de cidades é um método para a determinação da maneira como elas são ordenadas em função de um conjunto de variáveis (atributos). O ordenamento (ranking) da cidade é a sua importância relativa em relação às demais na amostra analisada. Idealmente, a atribuição dos ordenamentos é biunívoca sendo possível, na prática, que mais de uma cidade tenha atribuído o mesmo ordenamento. Neste caso, em alguns casos pode ser necessária a introdução de critérios de desempate.

Em geral, um ranking carrega mais informações do que as variáveis individualizadas na medida em que expressa a importância relativa de cada cidade a partir de um único indicador. Assim, um ranking derivado a partir de um conjunto de atributos é denominado de indicador sintético, ou composto.

Ranking no Tempo

No momento, o BCI-100 não pode ser comparado ao longo do tempo, pois a sua metodologia ainda está sendo ajustada. Além disto, muitas das variáveis consideradas não registram mudanças significativas ao longo do tempo e, portanto, será necessário aguardar antes que seja possível avaliar seu progresso ou retrocesso ao longo do tempo. Por fim, a periodicidade e a qualidade de outras variáveis que poderiam ser consideradas na elaboração do BCI-100 impedem o seu uso.

Dimensões do Ranking

Desde sua fundação em 2000, a Delta tem elaborados estudos econômicos, financeiros e estratégicos (governança, planejamento, etc.) sobre cidades brasileiras. Mais recentemente, a Delta elaborou diversos projetos de Local Economic Development – LED, compilando um volume significativo de dados e informações sobre o estágio de desenvolvimento socioeconômico destas cidades. Com base nessa experiência, foram identificadas 10 dimensões que refletem o estágio de desenvolvimento da cidade, não apenas em termos de condições materiais de vida (domicílio, renda, trabalho), mas também em termos de qualidade de vida (saúde, educação, segurança e digital).

Especificamente, o BCI-100 é formado por 10 dimensões (sub-ordenamentos), cada uma delas associada às principais características de um conjunto de variáveis (atributos), quais sejam: i) geral, ii) governança, iii) bem-estar, iv) econômica, v) financeira, vi) domicilio, vii) saúde, viii) educação, ix) segurança e x) digital. O BCI-100 é um índice geral de desenvolvimento econômico e social de cidades, calculado a partir de 10 índices parciais (um para cada dimensão).

Cada dimensão, por sua vez, está baseada em um conjunto de 2 a 27 variáveis. Por exemplo, a dimensão segurança considera duas variáveis: a taxa de homicídio total e a taxa de homicídios de jovens. No futuro, estas dimensões – que refletem as atuais condições materiais e a qualidade de vida – permitirão comparações intertemporais.

Pontuação no Ranking

Para calcular os índices parciais (um para cada dimensão), primeiramente pontuaram-se todas as variáveis (atributos) de cada cidade, que podem variar de 2 a 27. Para simplificar, todas as dimensões, e variáveis, tiveram o mesmo peso no BCI-100. Por exemplo, a dimensão segurança é medida pela taxa de homicídio total e pela taxa de homicídios de jovens. Assim, o índice segurança é dado por: pontuação da taxa de homicídio total + pontuação da taxa de homicídios de jovens. Em outras palavras, foi atribuído o mesmo peso (unitário) para todas as dimensões e variáveis.

Em função do critério de padronização das variáveis utilizado, todas as variáveis estão limitadas ao intervalor [0,1]. No caso particular das variáveis binárias (S ou N), as cidades que atendiam ao requisito segundo a melhor prática de gestão pública receberam pontuação 1 e as que não atendiam receberam pontuação 0.

Não foram pontuadas as variáveis cuja respectiva informação não estava disponível na data-base de elaboração do BCI-100. Assim, não foram imputados valores (um valor imputado é uma estimativa elaboradas por técnicas de estatística específicas para preenchimento de valores não disponíveis).

Padronização das Variáveis (Atributos)

A padronização das variáveis numéricas foi feita segundo a melhor prática a partir da abordagem Min-Max, que consiste na transformação da variável em um índice Z, segundo a seguinte fórmula:

Z=\displaystyle\frac{X-X_{min}}{X_{max}-X_{min}}

Onde Zi = valor transformado, Xi = valor da variável da i-ésima cidade a ser transformado, Xmin = valor mínimo de X e Xmax = valor máximo de X. Como resultado da padronização, a variável X, independente da sua dimensão e valor, é transformada linearmente, ou seja, considerando os valores máximos e mínimos calculados para a amostra, no intervalo [0,1]. Ainda seguindo a melhor prática internacional, os valores mínimos e máximos considerados na transformação são aqueles calculados, respectivamente, para a amostra analisada. Assim, evita-se a introdução de juízo de valor na definição dos limites inferior e superior.

Fontes das Informações

As informações utilizadas são provenientes de fontes primárias obtidas diretamente da administração pública direta, bem como de órgãos e instituições governamentais e disponibilizadas por meio de: i) Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil 2013, uma iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA e da Fundação João Pinheiro – FJP, ii) Ministério das Comunicações – MC, iii) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, iv) Secretaria do Tesouro Nacional – STN, do Ministério da Fazenda, v) Secretaria Nacional da Juventude – SNJ, da Secretaria-geral da Presidência da República, vi) Conselho Federal de Medicina, e vii) Conselho Federal de Odontologia.

Data-Base e Período de Coleta das Informações

As informações foram coletadas em agosto/setembro de 2014. A data-base para elaboração do BCI-100 é 15/08/14. Assim, eventuais alterações nas variáveis analisadas (apresentadas nos respectivos websites do Atlas Brasil, do IBGE, do Ministério das Comunicações, da Secretaria do Tesouro Nacional – STN, da Secretaria Nacional da Juventude – SNJ, do Conselho Federal de Medicina – CFM, do Conselho Federal de Odontologia – CFO, bem como nos relatórios ou estudos referenciados) após esta data não estão refletidas no BCI-100.

Replicabilidade da Metodologia e dos Resultados

A metodologia – e, consequentemente, os resultados – adotada pela Delta para a elaboração do BCI-100 é replicável por qualquer stakeholder (administrador público, investidor, cidadão etc.) interessado.