A metodologia para a elaboração do Índice das 100 Maiores e Melhores Empresas do Brasil em Governança Corporativa (Corporate Governance Index – CGI-100), adota uma visão holística e multi stakeholder da empresa, conjugada com procedimentos que asseguram resultados seguros, replicáveis e rigorosos (econômica e estatisticamente). Esta visão é similar àquela encontrada em estudos dessa natureza, não apenas no Brasil como – principalmente – em outras jurisdições.

Do ponto de vista socioeconômico e estatístico, o CGI-100 está fundamentado na melhor prática internacional para indicadores sintéticos, resistindo a diversas hipóteses metodológicas.

Objetivo do Ranking

O objetivo fundamental do CGI-100 é “consolidar” diversas variáveis (atributos) da governança corporativa da empresa em um índice, que permita mensurar as diversas dimensões do estágio da sua estrutura de governança corporativa. O foco principal é, sem dúvida, avaliar o comprometimento da empresa com os princípios fundamentais da governança corporativa.

O estrutura de governança corporativa da empresa é um conceito multidimensional que demanda uma mensuração também multidimensional. No entanto, derivar uma única conclusão sobre o estágio dessa estrutura a partir de um conjunto pré-determinado de variáveis (atributos) é um grande desafio. Uma das principais vantagens de indicadores sintéticos é que eles permitem uma visão geral de um conjunto de variáveis de fácil entendimento.

Seleção das Empresas

As 100 empresas que faz parte do CGI-100 foram selecionadas a partir do porte da empresa (considerando o valor da receita líquida em 2013 – quando a informação já é disponível – ou do seu valor em 2012) e do volume de negociação na BM&FBovespa.

Caracterização das Empresas

A caracterização da empresa foi feita com base nas seguintes informações: i) nome fantasia, ii) razão social, iii) setor de atividade econômica, iv) tipo de capital, v) sede (cidade e Estado), vi) faturamento (receita líquida, em R$ milhões) e vii) segmento de listagem da BM&FBovespa. Apesar de nenhuma dessas variáveis pontuarem no ranking, elas permitiram a classificação das 100 empresas em subconjuntos, permitindo conclusões importantes sobre os resultados obtidos.

Elaboração do Ranking

Um ranking (ordenamento) de empresas é um método para a determinação da maneira como elas são ordenadas em função de um conjunto de variáveis (atributos). O ordenamento (ranking) da empresa é a sua importância relativa em relação às demais na amostra analisada. Idealmente, a atribuição dos ordenamentos é biunívoca sendo possível, na prática, que mais de uma empresa tenha atribuído o mesmo ordenamento. Neste caso, em alguns casos pode ser necessária a introdução de critérios de desempate.

Em geral, um ranking carrega mais informações do que as variáveis individualizadas na medida em que expressa a importância relativa de cada empresa a partir de um único indicador. Assim, um ranking derivado a partir de um conjunto de atributos é denominado de indicador sintético, ou composto.

Ranking no Tempo

No momento, o CGI-100 não pode ser comparado ao longo do tempo, pois a sua metodologia ainda está sendo ajustada. Além disto, muitas das variáveis consideradas não registram mudanças significativas ao longo do tempo e, portanto, será necessário aguardar antes que seja possível avaliar seu progresso ou retrocesso ao longo do tempo. Por fim, a periodicidade e a qualidade de outras variáveis que poderiam ser consideradas na elaboração do GCI-100 impedem o seu uso.

Dimensões do Ranking

Desde sua fundação em 2000, a Delta tem elaborados estudos econômicos, financeiros e estratégicos (governança, planejamento, etc.) sobre empresas brasileiras. Mais recentemente, a Delta elaborou diversos projetos de governança corporativa compilando um volume significativo de dados e informações sobre o estágio de desenvolvimento da estrutura de governança destas empresas. Com base nessa experiência, foram identificadas 7 dimensões que refletem o estágio estrutura de governança corporativa da empresa.

Especificamente, o CGI-100 é formado por 7 dimensões (sub-ordenamentos), cada uma delas associada às principais características de um conjunto de variáveis (atributos), quais sejam: i) geral, ii) disclosure e transparência, iii) conselhos e diretoria, iv) propriedade e controle, v) direito dos acionistas, vi) contabilidade e auditoria e vii) gestão de riscos. O CGI-100 é um índice geral de governança corporativa das empresas,  calculado a partir de 7 índices parciais (um para cada dimensão).

Cada dimensão, por sua vez, está baseada em um conjunto de 3 a 27 variáveis. Por exemplo, a dimensão gestão de riscos é medida pela: i) existência de uma política (ou sistema) de gestão de riscos (corporativo) aprovada pelo Conselho de Administração, ii) existência de uma área específica (na Diretoria Executiva) em sua estrutura organizacional responsável pela gestão de riscos e iii) discussão específica da política (ou sistema) de gestão de riscos no Relatório Anual. No futuro, estas dimensões – que refletem a gestão de risco– permitirão comparações intertemporais.

Pontuação no Ranking

Para calcular os índices parciais (um para cada dimensão), primeiramente pontuaram-se todas as variáveis (atributos) de cada empresa, que podem variar de 3 a 27. Para simplificar, todas as dimensões, e variáveis, tiveram o mesmo peso no CG-100. Por exemplo, a dimensão gestão de riscos é medida pela: i) existência de uma política (ou sistema) de gestão de riscos (corporativo) aprovada pelo Conselho de Administração, ii) existência de uma área específica (na Diretoria Executiva) em sua estrutura organizacional responsável pela gestão de riscos e iii) discussão específica da política (ou sistema) de gestão de riscos no Relatório Anual. Assim, o índice de gestão de riscos é dado por: pontuação pela existência de uma política (ou sistema) de gestão de riscos (corporativo) aprovada pelo Conselho de Administração + pontuação pela existência de uma área específica (na Diretoria Executiva) em sua estrutura organizacional responsável pela gestão de riscos + pontuação pela discussão específica da política (ou sistema) de gestão de riscos no Relatório Anual. Em outras palavras, foi atribuído o mesmo peso (unitário) para todas as dimensões e variáveis.

Em função do critério de padronização das variáveis utilizado, todas as variáveis estão limitadas ao intervalor [0,1]. No caso particular das variáveis binárias (S ou N), as empresas que atendiam ao requisito segundo a melhor prática de governança corporativa receberam pontuação 1 e as que não atendiam receberam pontuação 0. Para as demais variáveis atribuiu-se 1 aquela empresa com característica mais próxima ao ideal e as demais receberam pontuação 0.

Não foram pontuadas as variáveis cuja respectiva informação não estava disponível na data-base de elaboração do BCI-100. Assim, não foram imputados valores (um valor imputado é uma estimativa elaboradas por técnicas de estatística específicas para preenchimento de valores não disponíveis).

O critério de desempate do CGI-100 foi, sequencialmente, a pontuação no sub-ordenamento GL- Geral, no sub-ordenamento CD – Conselho e Diretoria e no sub-ordenamento DT – Disclosure e Transparência.

Padronização das Variáveis (Atributos)

A partir do ranking das empresas foi feita, ainda, uma padronização segundo a melhor prática a partir da abordagem Min-Max, que consiste na transformação da variável em um índice Z, segundo a seguinte fórmula:

Z=\displaystyle\frac{X-X_{min}}{X_{max}-X_{min}}

Onde Zi = valor transformado, Xi = valor da variável da i-ésima empresa a ser transformado, Xmin= valor mínimo de X e Xmax = valor máximo de X. Como resultado da padronização, a variável X, independente da sua dimensão e valor, é transformada linearmente, ou seja, considerando os valores máximos e mínimos calculados para a amostra, no intervalo [0,1]. Ainda seguindo a melhor prática internacional, os valores mínimos e máximos considerados na transformação são aqueles calculados, respectivamente, para a amostra analisada. Assim, evita-se a introdução de juízo de valor na definição dos limites inferior e superior.

Deste modo, foram estimados dois rankings de governança corporativa: i) o primeiro, estimado a partir da soma da pontuação em cada uma das dimensões analisadas e ii) o segundo, obtido a partir do primeiro com base na abordagem Min-Max.

Fontes das Informações

As informações utilizadas são provenientes de fontes primárias obtidas diretamente da empresa e disponibilizadas por meio de: i) Relatório Anual (ou de Sustentabilidade) da Administração, ii) Demonstrações Financeiras e Relatório do Auditor Independente, iii) Formulário de Referência enviado à Comissão de Valores Mobiliários – CMV, para cumprimento do disposto na Instrução CVM n° 480, de 07/12/2009 e iv) informações disponíveis no website da empresa. Em geral, as informações coletadas no site estão disponíveis em sob a rubrica “Investidores”, ou “Relações com Investidores”.

Data-Base e Período de Coleta das Informações

As informações foram coletadas entre janeiro e março de 2014. A data-base para elaboração do CGI-100 é 15/03/14. Assim, eventuais alterações nas variáveis analisadas (apresentadas nos respectivos Relatórios Anuais, ou de Sustentabilidade, no Formulário de Referência e nos websites das empresas) após esta data não estão refletidas no CGI-100.

Replicabilidade da Metodologia e dos Resultados

A metodologia – e, consequentemente, os resultados – adotada pela Delta para a elaboração do CGI-100 é replicável por qualquer stakeholder (administrador público, investidor, cidadão etc.) interessado.